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AQUI VOCÊ LERÁ MEU RELATO SOBRE UMA VIAGEM FEITA BASICAMENTE DE CARONA DO RIO DE JANEIRO AO CEARÁ, NO INÍCIO DE 2009.



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19. por vez, carioca

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11/02/2009, casa e coisas como estavam.


meditação. prosa com Fernanda e sua amiga francesa (não sei escrever seu nome) na mesa do café-da-manhã. despedida e agradecimento. ida de ônibus ao aeroporto. no caminho, ainda conversei com uma moça. disse que gostei bastante do Ceará. e é verdade. nos foram muito receptivos. no avião, o voo atrasou, pois uma senhora bateu em duas crianças que viajavam sozinhas. muito bizarro. e ainda pedi pra entrar na cabine do piloto e só me deixaram ver de fora.

cheguei de volta são e salvo. parentes e amigos estavam pouco diferentes.

e as coisas como estavam.



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"esse tipo de viagem conta e ensina noção de tempo. quebra paradigma de vida. não só a viagem como destino, em muitos desconhecidos, mas o deslocar-se, o ato de estar de passagem por diferentes cotidianos num espaço tão curto de momento. a percepção esgarça os poros e a retina fica ferida de sensibilidade. dá uma sensação suprema de desencaixe de alma, de enfim libertação. o contato cru é o atravessar do afeto, expansão dos limites (auto)impostos socialmente. a informação precisa (ou não) é processada por bocas, ouvidos, confiança, instinto, perspicácia - também permitidos na vida fora da viagem, mas reprimidos pelas limitações e comodidades mundanas. sempre surge novidade, dando espaço ao improviso sagaz. nem viajando o mundo inteiro será possível diminuir ou determinar os desvios da estrada. a caminhada tem si própria como meta, envolvida pelas suas surpresas. cada porém com sua viagem. a grande viagem da vida não deve ser socada pelas mesmices regradas do cotidiano. é possível perfurar essa cristalização com as pequenas viagens dos momentos aproveitados na vida. abertura ao desconhecido...

conheci diferentes pessoas na sua noção de espaço que passam história e estilos de viver. a compreensão dos valores se tornou ampla. humanidade genuinamente por existência, não por estruturação social. a religião como instituição da necessidade de fé hierárquica pela fé intrínseca. linguagem não verbal perpassa pelo silêncio e não se faz necessária explicação de afeto. passei a ser um elemento vento de confissão. muitos ali se abriam, pois eu poderia absorver, ensinar, ajudar ou só ser. relação de favor sem que haja acordo ou troca explícita. o movimento faz com que as coisas simplesmente aconteçam. e permeando a cultura dos trejeitos pessoais, notoriamente, a autodescoberta se revela voraz."

11/02/2009
[retirado do caderno de viagem]




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18. a partir de descanso

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27/01/2009, terça-feira potiguar


pulo da cama. sanduiche. em busca da carona do dia. pegando ônibus lotado (mesmo). situação desgraçada. saltamos no lugar errado. outro ônibus nos deu carona até um terminal distante de Recife. finalmente, o posto que nos recebia com chuva fina. eu bem tentei, mas já sentia um cansaço latente. foi vez do Pedrinho explorar seus horizontes e conseguir mais um carona num caminhão pra nós. e adivinhem, nos deixaria precisamente em Natal-RN. teoricamente, seria o ponto final do sonho. 280 Km na 27ª carona com Ratão!


rodando à Natal.


viagem longa de muitas estórias e violão. Ratão tem bom gosto musical. mexia com tudo quanto é mulher da estrada. contou que passou o fim-de-semana com uma em Recife, mas que amava a sua mulher que vivia em Minas Gerais. que ironia... fechávamos o ciclo de caronas com um mineiro. chegamos a estacionar em João Pessoa-PB, mas pensamos bem e decidimos seguir.


último tango caroneiro.


e...

chegamos! chegamos! conseguimos!


Natal - RN.


ainda tivemos que andar um bocado. na frente da saída do aeroporto, conseguimos uma carona até bem próximo da casa da avó do Pedrinho. ele morou lá por quatro anos e conhece bem a área. estávamos agora num porto seguro de descanso.


nós com Celma.


chegamos e almoçamos comida da Celma. fomos à casa de Daniel, amigo do Pedrinho. acontecia um churrasco. por lá ficamos. depois fomos prum boteco todos.


mais tarde, sono.



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os próximos dias de viagem (28/01/2009 até 11/02/2009) os ânimos se acalmaram em termos de diário e acontecimentos relacionados à sensação de viajante desorientado. era preciso processar a quantidade de informação por frações de dias. relaxamos dois dias na casa da avó do Pedrinho. fomos à praia de Pipa-RN e conseguimos um contato em Fortaleza na casa da amiga de uma amiga minha. prioridade ao descanso agora.



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28/01/2009 e 29/01/2009, morgação - parte I.


conhecendo mais do ciclo de amizades de Pedrinho e da cidade de Natal. um balneário querendo crescer. ruas ainda com resquícios antigos formadas por camadas de areia. transito ainda ingênuo. açaí magnífico. Praia de Ponta Negra com o famoso morro do careca, uma bela visita. e também a Praia do Meio com o forte arquitetado em forma de estrela. muito interessante. e o caminhar agora sempre leve despreocupado. esbanjávamos calma e esplendor de realização.








Palavra sem força
rabisca
lembrança.

28/01/2009



praias de Natal.



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30/01/2009 até 02/02/2009, soltando praia em Pipa-RN


arranjamos barraca com o primo do Pedrinho e fomos acampar em Pipa-RN. Ana e Pedro, nosso amigo do RJ esbarrado em Olinda, foram conosco.




Pipa-RN é bonito demais. a praia do amor ou praia dos afogados mergulha meditação. calmaria com reboliço de maré. bom descanso de alma no camping de Sandro. no topo da falésia com vista de mirante. Udson contador de casos esdrúxulos. Thiago mineiro desabafou sua peripécia pela América Latina e Acre em busca de realização com Daime. um outro rapaz da Amazônia fazia origâmis com folha de bananeira. e Bárbara linda ao violão. todos assistimos filme pirata em conjunto. lugar mini-cosmopolita. ainda assim, paz. despedida com chuva no dia dois de Fevereiro, dia de Iemanjá.


praia do amor (ou dos afogados).





espaços do camping e seu mirante.



mirante e pedras do Chapadão.


caminhos à Iemanjá.




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03/02/2009 e 04/02/2009, morgação - parte II.


melhor açaí que já tomei. batida com abacaxi e com côco ralado em cima.

fiz, pois, um contato por telefone com uma grande amiga no Rio de Janeiro. ela nos ofereceu a casa de uma outra amiga pra ficarmos, enquanto conhecíamos Fortaleza-CE e os arredores. não hesitamos e compramos passagem de ônibus. carona já exigiria um pouco mais. aceitamos pagar por esse conforto já que seria um bônus inesperado na viagem.




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05/02/2009 até 07/01/2009, fortaleza por afeto.


momento de aposentar de vez minha sandália no meio da estrada de Natal à Fortaleza.


distante.


sandália pra perdição.


Fernanda é o nome da moça que nos hospedou. gente boníssima. levou-nos pra conhecer município de Aquiraz-CE bem perto de Fortaleza. almoçamos peixe na beira do mar. delicioso, embora o rapaz tenha tentado passar a perna no preço. passamos logo depois pelas rendeiras que teciam roupas no momento e compramos lembranças. ficamos espertos de andar de ônibus por lá, sempre parando no terminal Papicu.


clamam Fortaleza...









Aquiraz e rendeiras.


Fernanda mostrou os pontos principais e nos levou pra ver um jazz. uma pessoa especial. contato precioso para o fim da viagem. afetuosa que merece ser mãe. considerada a madrinha, ocupando o posto ao lado de Arthur - o caronista de Bambuí-MG. pudemos compartilhar muito do que vivemos ali mesmo acabando de conhecê-la. experimentamos siriguela e fizemos caipirinha. conhecemos uma amiga dela que chegava de carona num barco vindo da França! encaramos no fim do dia um bloco de pré-carnaval "num ispaia sinão ienche!".






Fortaleza e o pré-carnaval.



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08/02/2009 até 10/02/2009, lua e sol com chave de ouro.


pegamos um ônibus à Canoa Quebrada-CE, última parada, antes de eu voltar pra casa. Pedrinho voltaria à Natal pra passar o carnaval com os amigos de lá. ida tranquila e arranjamos um camping de um gringo e completamente vazio, provavelmente por ser domingo. em frente, uma praia paradisíaca. a lua nos queijava completa no céu. as águas salgadas do nordeste são permanentes frescas. abraçam bem suaves mais.



praia de canoa.


caminhadas pelo local. rapidamente, já dominávamos os limites. areais lindos por dunas, falésias e ponte. noite sempre ventosa e agradável. o sol despia a lua sempre antes do anoitecer. presenciamos o encontro dos deuses do alto de uma duna:

de um lado sol que dormia atrás do vale de árvores.
de outro lua acesa nascia salgada de mar.

foi a melhor forma de despedir dessa fantasia.



pôs-se...


último encontro súbito já com mochila nas costas em direção à rodoviária de Canoa Quebrada. Élder descansava em rede e me abordou pelo violão. é mineiro e está viajando pelo Brasil há oito anos vendendo brincos e pulseiras. contou algumas estórias por vários Estados, tornando minha despedida mais melancólica, pois a vontade de conhecer mais do país era enorme. e ainda é.


vento enérgico.

...


voltava para dormir na casa de Fernanda e já estava tudo marcado para a minha volta. dia seguinte 12 de Fevereiro no aeroporto de Fortaleza em direção ao Rio de Janeiro.



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17. pré-carnaval

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24/01/2009, sábado violado.


mais que cedo levantei pro chuveiro tirar a casca. pegamos o ônibus das 7 horas à cidade de Messias-AL, mas saltaríamos antes, no posto de saída. o cobrador nos informou errado e descemos num ponto bem ruim. vários caminhões com destinos diferentes pro que desejávamos. acenamos para uma kombi que encostou e topou nos levar ao posto de gasolina correto. salvador daquela manhã embaraçada.

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esfinge colorada
mapeia longe
os matos de cerrado
pros fins do horizonte

esconde areia
sobre meio dia
enquanto cerca
meio sol de côco
ao final da estadia

em menos ou mais
280 quilômetros
covardia
de saudade
com tempos de alegria

24/01/2009



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muitas opções estacionadas prestes a seguir rumo na estrada. Pedrinho e eu nos divimos na tarefa de 'pedir encarecidamente'. não nos demoramos e conseguimos! um alívio. Cláudio foi a 26ª carona em direção à Recife-PE. pernambucando retorno. ainda não sabíamos ao certo onde ficar. talvez em alguma cidade praiana pequena.


pernambucando histórias.


felizes com o momento, ficamos soltos. contamos vários causos de até então. Cláudio riu e gostou bastante. contou algumas clássicas de caminhão. deu dicas de praias pernambucanas. e afirmou que se a gente fizesse sinal na estrada não pararia. viu pela nossa conversa no posto que era tranquilo. isso faz uma grande diferença na hora de caronar. sempre com educação e sendo claro. sem ser invasivo. dando sempre a possibilidade do diálogo. sem forçar uma situação constrangedora.


BR-101


convenceu-nos a ficar em Olinda-PE. deu certeza que conseguiríamos algo barato. topamos pra ver. na estrada, obras de duplicação da BR-101. muitas cidades feias ao passar. chegamos em Recife em grandíssimo estilo, passando de caminhão pela praia de Boa Viagem, onde é proibido banhar e surfar devido aos tubarões. foi engraçado passear pela orla. parecíamos bicho-do-mato esquecidos de cidade grande. Cláudio nos largou num ponto de ônibus que pegaríamos pra Olinda.


passeando por Boa Viagem de caminhão.


batendo perna e procurando onde cair. nada muito barato apareceu. até um suposto guia nos abordar e levar à pensão de dona Carminha. R$ 12,50 a diária, a uma quadra da praia e no coração do centro histórico. perfeito. sem muito o que pensar. era o nosso fim-de-semana garantido no sossego. pf a R$ 3,50. mergulho na praia e descanso. leve caminhada pelos arredores. iríamos relaxar o fim-de-semana.


subindo Olinda...


e espiando de cima...


...a grande Recife-PE.


vimos o pré-carnaval de Olinda. começa desde Dezembro e ocorre todo fim-de-semana até Fevereiro. gostamos. bem interessante é que rola de tudo. o maracatu bem forte. com direito a vista pelas ladeiras. no alto, barraquinhas de tecidos, artesanatos e comidas. comi acarajé caprichado e dois repentistas me fizeram uma prosa cantada. respondi com "palavra acesa" e "o sol nascerá".

voltamos pra pensão e a surpresa no jornal: show do Quinteto Violado R$ 7,50 (meia entrada) num teatro bem bonito de Recife. nos ajeitamos e fomos de ônibus. show muito do bom. pena só que eu morria de sono. batendo cabeça.


cores vioaldas.


voltando. comendo o dogão que a moça desconfiada não aceitou nem piada de fiado. um suposto guia veio nos oferecer demais. sacamos e negamos. esbarramos com dona Carminha nos arredores da pensão. pessoa boa. mora com a filha e um rapaz que não entendi bem sua função. senti um pouco de solidão misturada com vontade de saber do outro. pacata e forte. acontecida. Pedrinho ficou conversando com ela. e eu...


de frente pra pennsão de Carminha.


...dormindo.



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25/01/2009, domingo, um mês de viagem e o encontro inesperado.


acordando tarde. morgando na praia. cozinhando gororoba na cozinha de Carminha. saída para fotos e acompanhando os blocos de pré.


maracatu.


frevo.



apenas o pré.


ladeiras e um encontro inusitado. um amigo nosso (também Pedro) do Rio de Janeiro, sem que a gente combinasse. ele sabia que estávamos viajando, mas nem pretendíamos passar em Olinda. ele gritou "vocês conseguiram!". conhecemos uns amigos dele de lá. ele perdeu a carteira e depois achou-a sem dinheiro. nós o convidamos para ir à praia da Pipa na outra semana. Natal-RN prosperava 280 Km.


Carminha acolhedora.


voltamos. conversamos com Carminha.


sonos.




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26/01/2009, segunda-feira anoitecendo farol.


ida ao Mercado Central de Recife. um grande galpão com um monte de opção de compras. como há em toda grande cidade. compramos uma rede de nylon boa. passeamos por Recife Antigo. e fotos.



Recife Antigo.


comemos esfirra e passamos na casa do amigo do Pedro que encontramos no dia anterior. passamos a tarde lá e voltamos de carona de carro até a cidade histórica. levou-nos pra conhecer um pico interessante, onde fica o farol. Pedro mendigou autorização do faroleiro Messias para subir no topo, atualmente desativado a visitas. e conseguiu! espiamos o visual de toda Olinda e boa parte de Recife com binóculo.


farol d'Olinda...


...e a vista pra Recife.


Erik, eu, Messias(faroleiro) e Pedro.


descemos, fotografamos mais e cada um seguiu seu rumo. fomos pra pensão. dia seguinte seguiríamos cedo para um posto localizado fora da cidade. seria complicado de achar. mas era o último suspiro.

passeio. sanduíche.


soneca.



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